Entenda a importância da BPF na qualidade do suplemento mineral
Um suplemento mineral de qualidade está relacionado com a segurança da saúde animal, a produção de alimentos seguros para o homem, o respeito ao ser humano, o respeito ao ambiente, o resultado zootécnico, o resultado econômico e a conformidade do produto.
Para garantir a qualidade de um suplemento mineral, devem ser consideradas todas as etapas do processo de produção, desde a formulação do suplemento, aquisição dos ingredientes, estocagem das matérias-primas, pesagem dos ingredientes, mistura, ensaque, armazenagem do produto acabado, expedição, transporte, armazenagem na fazenda, distribuição para os animais e finalmente a ingestão adequada de acordo com o estimado na formulação.
O desenvolvimento de um suplemento mineral exige uma formulação adequada (Figura 1), que pode ser resumida em:
- Determinação das necessidades do animal;
- Estimativa da quantidade de nutrientes fornecidos pela pastagem;
- Estimativa da diferença entre as necessidades do animal e o ingerido nos alimentos (déficit a suplementar);
- Estimativa da ingestão do suplemento;
- Cálculo da concentração de nutrientes que necessitam de suplementação, respeitando as restrições de compatibilidade e inter-relações entre os ingredientes;
- Conferência da fórmula, determinação dos eventuais substitutivos, registro e elaboração do croqui do rótulo do produto (indicação, modo de usar, condições de conservação, entre outros).
Figura 1. Formulação apropriada às condições, de acordo com as necessidades de suplementação.
Matéria-prima é o nome dado a todo material, que entra e faz parte do produto acabado. Podem ser classificadas como:
A -
De origem vegetal: grãos, farelos, fenos e óleos.
B -
De origem animal: farinhas, óleos e gorduras. Na suplementação e alimentação de ruminantes está proibida a utilização de matérias-primas de origem animal.
C -
De origem mineral: macrominerais.
D -
Aditivos: substância ou preparado de substâncias que tenham ou não valor nutritivo. Estas substâncias são intencionalmente adicionadas aos produtos destinados à alimentação animal, com a finalidade de conservar, intensificar, potencializar ou modificar suas propriedades desejáveis e suprimir as propriedades indesejáveis ou melhorar o desempenho do animal. São classificados nestes grupos:
- Zootécnicos
- Tecnológicos
- Nutricionais
- Sensoriais
- Anticoccidianos
E -
Premix ou Núcleo: são as misturas de aditivos entre si ou misturas de um ou de vários aditivos com substâncias que constituem suportes, que são destinados à fabricação de alimentos para animais.
A aquisição das matérias-primas para a produção de suplementos
(Figura 2) é uma etapa importante para a garantia da qualidade dos suplementos, pois a relação custo/benefício deve ser otimizada, mantendo a qualidade e segurança alimentar do suplemento mineral. Para isso, é importante adquiri-las de fornecedores certificados, conhecer as diferentes características (físico-químicas, biodisponibilidade) das matérias-primas, ter um controle de qualidade dos teores dos nutrientes e dos possíveis contaminantes (físicos, químicos e biológicos), atentar para a compatibilidade entre as matérias-primas utilizadas, etc.
Figura 2. Qualidade dos ingredientes utilizados.
O processo de mistura pode interferir diretamente na homogeneidade do produto final e na manutenção dos níveis de garantia dos produtos. Dentro de uma unidade industrial de fabricação de suplementos minerais, o misturador é um equipamento especial, exigindo manutenção e controles preventivos.
A utilização de pré-misturas dos micro-nutrientes, que entram em concentrações muito pequenas na mistura final, é uma alternativa para melhorar a qualidade do produto.
A grande preocupação entre os fabricantes e consumidores de alimentos para animais, tem sido o controle e a segurança na adição destes micros ingredientes, com a verificação de resíduos e contaminação destes, além da manutenção dos níveis de garantia do produto processado.
Os misturadores têm que ser validados para os diferentes tipos de produto, bem como o tempo de mistura
(Figura 3). A homogeneidade da mistura depende principalmente do volume da carga do misturador e do tempo de mistura.
Figura 3. Qualidade da Mistura.
A próxima etapa de produção é o ensaque. Durante esta etapa, é feito todo o controle do peso do produto acabado, o exame visual e de odor do produto acabado e a coleta da amostra para o controle do produto acabado
(Figura 4).
Todo processo de produção visa à conformidade do produto acabado, ou seja, garante a qualidade e segurança alimentar. Neste contexto, as Boas Práticas de Fabricação podem contribuir com o setor. A sua implementação tem como objetivo incentivar a indústria a buscar a evolução da qualidade dos produtos oferecidos ao mercado consumidor, aumentando a confiabilidade e a segurança dos produtos, permitindo a demonstração pública do comprometimento das empresas produtoras, bem como o integral cumprimento de todas as normas legais e daqueles de setores específicos em mercados potenciais para exportação.
Figura 4. Ensaque, armazenagem e distribuição.
E o que são as Boas Práticas de Fabricação?
É um conjunto de normas e procedimentos que assegura ao cliente a conformidade do produto, ou seja, o atendimento às especificações apresentadas por seu fornecedor, o cumprimento da legislação e oferta de alimentos seguros para a saúde do animal, do homem, do trabalhador e do meio ambiente. Ou seja, é uma das ferramentas indispensáveis e importantes para a garantia da segurança alimentar.
Por outro lado, o setor tem também como desafios encontrar a medida justa e adequada para implantação de melhorias, ajustes e adaptações que possibilitem às empresas atender aos seus requisitos de inocuidade e segurança, aos requisitos legais, técnicos e comerciais dos mercados nacional e internacional e ainda assim, se manterem ágeis e competitivas.
A adoção dos requisitos e recomendações de BPF possibilita às empresas o atendimento à legislação pertinente e às inspeções dos órgãos federais ligados ao setor, bem como propiciam o desenvolvimento de um processo adaptado e adequado ao setor para a certificação de seus estabelecimentos, produtos e serviços.
As boas práticas não devem ser realizadas somente dentro dos estabelecimentos produtores, mas deve ser o foco de toda a cadeia produtiva. O transporte do produto acabado da unidade de processamento até as propriedades rurais e a armazenagem de forma adequada, evita a contaminação do produto, mantendo suas características quantitativas e qualitativas.
A adequação das instalações para o fornecimento (cochos), a freqüência no fornecimento, o controle do consumo representam uma etapa essencial, na qual, todo o trabalho feito anteriormente, pode não gerar os bons resultados esperados na suplementação
(Figura 5).
Figura 5. Uso na fazenda.
Ou seja, ocorrerá o aperfeiçoamento dos sistemas de produção de alimentos para animais e o aumento de produtividade no setor, se as indústrias de alimentação animal estiverem preparadas para enfrentar novos desafios nesse cenário globalizado.
É fundamental para o desenvolvimento do país e sua inserção maior na economia mundial, que os setores produtivos elevem suas exigências em relação à qualidade, otimização de custos e incorporação de padrões excelentes de produção. E além da competitividade, atentando para a bandeira mundial: a segurança alimentar.