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Produção de leite a pasto

Introdução

A produção de leite mundial está estimada em 415 milhões de toneladas, obtida de 124,091 milhões de vacas leiteiras (USDA, 2007). Países como EUA e Canadá possuem uma produção média por lactação de 9.000 kg e 5.080, respectivamente, enquanto que a América do Sul (Brasil e Argentina) produz uma média de 5.000 kg (USDA, 2007). Nesta mesma citação, verifica-se que o Brasil, Peru e México são os países das Américas que produzem menos de 1600 kg/vaca/ano. Estes índices, entretanto, vêm aumentando em decorrência da intensificação do manejo.
A cadeia produtiva do leite é uma das mais importantes do complexo agroindustrial brasileiro. Movimenta anualmente cerca de US$ 10 bilhões, emprega 3 milhões de pessoas, das quais acima de 1 milhão são produtores, e produz aproximadamente 20 bilhões de litros de leite por ano, provenientes de um dos maiores rebanhos do mundo, com grande potencial para abastecer o mercado interno e externo. Entre 1990 e 2000, a produção de leite cresceu 37%, enquanto na Região Centro-Oeste o crescimento foi de 81% e, no estado de Goiás foi de 105%. A Região Centro-Oeste abriga 35% do rebanho bovino nacional, com uma das principais concentrações de indústrias de laticínios do país.
Com o maior rebanho bovino comercial do mundo, o Brasil ocupa hoje o sexto lugar entre os maiores produtores mundiais. O crescimento da produção nos últimos anos foi bastante significativo, enquanto o consumo interno tem se expandido lentamente, em ritmo inferior ao crescimento da produção. A maior oferta de leite tem levado a uma realidade de preços decrescentes aos produtores brasileiros. Portanto, para que os sistemas de produção sejam sustentáveis, será necessário produzir leite a custo muito baixo (Pimentel et al., 2007). Neste sentido, o uso da pastagem se torna um instrumento imprescindível para a produção de leite à pasto.

Pasto extensivo
As pastagens constituem-se no componente principal da dieta dos ruminantes, especialmente nas regiões tropicais, onde, exceto em regiões de alta densidade demográfica, a terra é um fator de baixo custo, e plenamente disponível, como no Brasil, visto que na última década tem atraído muitos produtores estrangeiros, seduzidos pelo baixo preço da terra e baixo custo de mão de obra. Mesmo em áreas onde o uso da terra é intensivo, pastagens manejadas racionalmente têm função importante na preservação das características físico-química do solo, reciclando nutrientes e controlando a erosão do solo (VILLAÇA et al., 1985).
É importante ressaltar que a aptidão leiteira da vaca, o valor nutritivo do pasto e o consumo de forragem determinam a produção de leite da vaca. Sob pastejo, o consumo de matéria seca verde é afetado principalmente pela disponibilidade de forragem, mas também pela estrutura da vegetação: densidade, altura, relação folha-colmo.
Para a determinação do potencial das pastagens, ou de qualquer sistema, para a produção de leite é necessário definir ou quantificar a ênfase que o criador atribui aos principais insumos envolvidos no processo de produção de leite na propriedade agrícola. Para isto pode-se estabelecer três insumos como responsáveis pela alteração no nível de produtividade de leite na propriedade, ou seja: a produção anual de forragem, a lotação animal por hectare e a quantidade de alimento adquirida fora da propriedade.

Pasto intensivo
Deve-se levar em consideração que um sistema de produção de leite deve ser o de reduzir custos de produção e aumentar a produtividade animal para aferir maiores margens de lucro. A produtividade animal na pastagem é o resultado do desempenho animal vezes a capacidade de suporte da pastagem.
A pastagem fornece toda a alimentação volumosa durante o período chuvoso, e, para o período da seca têm sido desenvolvidos vários trabalhos usando principalmente a cana corrigida com uréia e as silagens de capineiras, pastagens e culturas tradicionais como alimento volumoso que é fornecido entre as ordenhas.
Potencialidades do Brasil.
O Brasil ocupa o sexto lugar em produção de leite no mundo, entretanto, ainda é um país que busca a ocupação de suas fronteiras agrícolas. Isto impossibilita qualquer tipo de referência em outros países. Com o número de produtores aumentando, ao contrário das expectativas no setor. Segundo o IBGE (2005) a produção de leite no país teve um crescimento bastante expressivo desde 1990, cerca de 4% ao ano. As regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram as maiores taxas de crescimento, sendo reflexo do processo de ocupação destes territórios, através da política privada ou de assentamentos rurais.

Desafios da Produção de leite a pasto
O potencial dos sistemas de produção de leite a pasto no Brasil é inegável, tendo em vista que quase 80% do seu território está na faixa tropical com possibilidades de produção forrageira durante todo o ano. As forrageiras tropicais apresentam crescimento estacional marcante, com mais de 70% da produção de matéria seca realizada no período de primavera-verão. A pressão de pastejo deve variar ao longo do ano, procurando equilibrar a oferta e a demanda de nutrientes para o animal, e evitar períodos de super e subpastejos que comprometam a persistência e a qualidade da pastagem (ASSIS et al. 1997). Em sistemas bem conduzidos em diferentes regiões do Brasil, a combinação de pastos manejados com altas lotações e vacas especializadas suplementadas com concentrado, têm permitido produções entre 4.000 a 7.000 kg de leite/vaca/ano e 10.000 a 26.000 kg leite/ha/ano (Santos et al., 2007).
A produção de leite eficiente é totalmente dependente da boa conversão do pasto em leite, e há três importantes fatores os quais determinam a produtividade em uma fazenda de leite à pasto (Holmes & Wilson, 1984):
a) Crescimento de pasto de boa qualidade e em grande quantidade;
b) Alto consumo de pasto pelo rebanho e,
c) Eficiente conversão da forragem consumida em leite. Todos estes fatores são fortemente influenciados pelo manejo e estoque de forragem.
Entretanto, além do manejo, muitos fatores interferem para que forragem de boa qualidade possa estar disponível para o animal. Assim, adequações no pastejo são feitas ao longo do ano para tentar fazer com que o animal aproveite ao máximo o tempo de pastejo em cada piquete/pasto e proteger a forragem de forma que este suporte os períodos menos favoráveis do ano e com o início das chuvas consiga ter boa rebrota.
Com a adoção de manejos mais adequados, como adubação e pastejo rotacionado, o produtor poderá perceber que tanto a taxa de lotação quanto a eficiência de uso estarão acima da média encontrada em sistemas extensivos.

Considerações finais
A produção de leite à pasto é uma atividade altamente viável de produção. Entretanto, deve ser tratada de forma séria, com apoio técnico qualificado, de forma a utilizar intensivamente o sistema de produção.
O uso racional das pastagens é a chave da atividade leiteira. Com a manutenção de uma oferta de forragem ótima, a qual mantenha as condições fisiológicas para a produção animal, pode se dizer que sem se elevar significativamente a lotação animal nas pastagens tropicais, o que é reflexo direto da elevada produtividade de matéria seca das plantas forrageiras, não há possibilidades de se explorar o potencial de produção de leite em pastagens.


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