Cuidados na desmama

Introdução
A desmama dos bezerros de corte é um processo que, apesar de ser realizado em um
período relativamente curto, tem fundamental importância no desenvolvimento dos animais.
É o momento em que o animal passará do estado de dependência da mãe para uma
existência adulta independente e, devido a todo um aparato de modificações que estarão acontecendo (ex: comportamental, nutricional, etc), estará sujeito à ocorrência do chamado “Estresse à Desmama”, que poderá fazer com que perca peso e demore a se recuperar, além de afetar sua capacidade imunológica, com riscos de doenças e até morte.
Dicas para minimizar o “Estresse à Desmama”
Pastagens
Após a separação, os bezerros devem ser colocados em pastagens formadas com
forrageiras adequadas, bem afastados das mães, caso não haja a possibilidade de coloca-los em pastos adjacentes, o que acalmaria os animais. Se optar por colocá-los em pastos adjacentes, deve-se tomar o cuidado de reforçar as cercas. Caso contrario, corre-se o risco dos bezerros fugirem ou simplesmente enfiarem suas cabeças por entre os fios da cerca para mamar.
Consideram-se forragens adequadas àquelas que possuem alto teor nutritivo, pequeno porte e alta densidade.
Como a desmama de bezerros de corte normalmente será realizada no início do
período seco, em abril/maio, neste caso deverão ser escolhidas espécies capazes de se conservar como feno em pé, com o máximo de qualidade.
As braquiárias têm-se mostrado boas espécies, proporcionando bons ganhos de peso.
Contudo, podem provocar fotossensibilização nos bezerros, o que exige maiores cuidados.
Algumas pesquisas indicam que pastagens exclusivas de gramíneas não atendem
satisfatoriamente às necessidades nutricionais dos bezerros na fase pós-desmama.
Recomenda-se nestes casos o uso de pastagens de gramíneas associadas à leguminosas, como o estilozantes Mineirão, ou bancos de proteína, como a Leucena, por exemplo.
Currais
O curral de manejo deve estar posicionado em uma situação de declive, onde o centro
do curral fique mais alto que as extremidades, facilitando o escoamento da água. Nas
porteiras de saída do curral, local onde ocorre o maior pisoteio e acúmulo de água, é
recomendável um cuidado especial no encascalhamento, para facilitar a drenagem,
evitando-se a formação de atoleiros.
Obrigatoriamente o curral de manejo, deverá conter um brete, para que se execute as
aplicações de remédio de um modo mais eficiente (mais rápido) e um aparador, para
separarmos os lotes de forma uniforme, além de estar em boas condições de conservação (verificar constantemente itens como: parafusos apertados, tábuas quebradas, bom funcionamento de porteiras e portões, funcionamento do tronco, da balança, etc...). Esta questão da conservação do curral ganha especial sentido no manejo com bezerros. Por estar sob condição de estresse, a categoria “bezerros à desmama” é muito ativa, e qualquer movimento brusco faz com que todo o lote reaja. Seria um “estouro” dos bezerros, e este “estouro”, caso haja alguma possibilidade de saída, eles podem aproveitá-la, e prejudicar, no mínimo, algumas horas de trabalho, quando não se machucam, às vezes incapacitando-se para produção.
É interessante também a presença de uma balança, para monitoramento dos
resultados do rebanho, e de um tronco de contenção, para facilitar o tratamento de eventuais problemas de casco ou outros manejos que dependam da imobilização do animal (exames clínicos, inseminação artificial, diagnóstico de gestação, etc...). Estes equipamentos serão essenciais na fase de seleção, reprodução, e engorda dos animais. A respeito dos tratamentos clínicos necessários aos animais, é interessante também que o curral possua, em sua adjacência, piquetes de espera que possam ser usados como enfermaria.
A presença de água no mangueiro e nos piquetes de espera ajuda a reduzir o
estresse dos animais durante os manejos, bem como a desidratação a que eles são
submetidos.
Outro componente importante dos currais é o embarcadouro, por onde chegarão e/ou
partirão os animais. Estes deverão estar posicionados de forma a permitir livres manobras dos caminhões (longe de árvores, morros, buracos, etc...). Podem ser de altura fixa ou regulável, mas é importante serem bastante resistentes, pois o momento do embarque é onde se verifica o maior número de acidentes durante os manejos em curral. A este respeito, é interessante também que se tenha uma ou mais porteiras localizadas bem na base da rampa final do embarcadouro, e que saiam para dentro de divisões do curral, de forma que se possa retirar rapidamente qualquer animal que apresente algum problema no momento de entrar no caminhão.
Cochos para desmama
No local de maior permanência das vacas no pasto maternidade (malhador) devem ser instalados os cochos de sal mineral. Suas cabeceiras (extremidades do cocho) devem estar no sentido predominante dos ventos e chuvas para proteger a mistura mineral contra estas.
Estes devem possuir de 25 a 30cm de boca e profundidade. O comprimento do cocho
deve ser calculado de acordo com a categoria animal a ser alimentada. É importante
ressaltar que, em grandes rebanhos, o normal é que se use cochos de 3m de comprimento, variando sua quantidade de acordo com a necessidade do nº de animais a serem manejados naquele pasto.
Metragem do cocho de acordo com a categoria animal ou fase de criação
Fase de criação: Metragem do cocho
Maternidade: 5cm/vaca mojada ou recém parida
Desmama Precoce: 20cm/bezerro
Recria: 5cm/animal
Aleitamento: 5cm/vaca parida
Outras: 5cm/animal
Os cochos são instalações permanentes, por isso devem ser construídos com todos os cuidados necessários. A madeira deve ser de boa qualidade e resistente. Devem ter uma cobertura e proteção das extremidades para evitar que a mistura seja desperdiçada por chuvas ou por ventos. A altura do cocho (chão até a boca do cocho) deve permitir que todos os animais existentes no pasto tenham acesso ao consumo da mistura mineral.
É muito importante escolher o local mais alto e longe de atoleiros no “malhador” para
instalação do cocho, além disso, devemos fazer um piso ao redor, que deve ser compactado e cascalhando para não permitir esburacamento e formação de atoleiros. Todos os cochos com altura menor que 80cm deverão ter uma travessa protetora, 50cm acima da sua boca.
Isso evita que os animais transitem por cima do cocho. Sob a cobertura deverá se fazer um depósito para se armazenar uma boa quantidade de mistura mineral. Isso economiza mão de obra e gastos com transportes freqüentes do suplemento ao pasto, além de ajudar muito na manutenção permanente do mineral dentro dos cochos.
Bebedouro
Os bebedouros podem ser feitos de metal ou concreto. Uma possibilidade é cortar
barris de óleo pela metade (tanto na posição transversal como longitudinal), que adaptamos com flutuadores automáticos, asseguram o fornecimento contínuo de água fresca. Além deste dispositivo, recomenda-se a limpeza freqüente dos bebedouros, especialmente para eliminar da superfície restos de alimento, saliva e outros resíduos. Um dos segredos para se obter sucesso na desmama de bezerros consiste em manter água fresca disponível durante
todo o tempo.
Conclusão
A conseqüência de um estresse de desmama severo, pode acarretar perda de até 10% do peso e atraso no desenvolvimento da cria, além de maior susceptibilidade a doenças e parasitoses. Para evitá-las, ou reduzir seus efeitos, é interessante que o produtor esteja sempre atento a todos os detalhes que acarretam o manejo estressante dos bezerros, logo após a desmama.