
Por Sergio Morgulis e Maria Silvia Morgulis
As necessidades de minerais estão relacionadas com idade, sexo, raça e taxa de produção do animal. Ainda existem pecuaristas que utilizam uma formulação única para suplementar todo o rebanho, desrespeitando as demandas específicas dos bovinos em suas diferentes fases de desenvolvimento e funções produtivas. Isso resulta em desbalanceamentos que podem comprometer seriamente seu desempenho. E é preciso considerar não apenas o processo de acúmulo de minerais ao longo da vida do animal (veja figura), mas também sua velocidade de crescimento, que está diretamente relacionada ao regime alimentar adotado e características genéticas.
Quanto menor o intervalo entre nascimento e abate, por exemplo, maiores serão as necessidades diárias de minerais. Novilhos que vão para o gancho 12 meses após a desmama, acumulam ao redor de 8 kg de minerais no organismo em um ano; se forem terminados 24 meses após a desmama, acumularão ao redor de 4 kg por ano. Ou seja, no primeiro caso, o fornecimento anual de minerais precisa ser dobrado, para atender a aceleração do crescimento do animal. A mesma comparação pode ser feita entre vacas que produzem um bezerro por ano e outras que fornecem um bezerro a cada dois anos.
Especificando exigências


A suplementação mineral de bovinos, portanto, deve não apenas atender às exigências por categoria, mas também considerar a taxa de produção e fase do ciclo produtivo desses animais. Nos gráficos acima podemos observar que um novilho em crescimento necessita maiores concentrações de fósforo na dieta do que uma vaca recém-parida e, esta, apresenta maior exigência do que um boi engordando 500g/dia.
No caso de touros, o aumento da taxa de ganho de peso praticamente dobra a necessidade de fósforo. Durante o ciclo produtivo as exigências de cálcio e fósforo variam em mais de 100%, quando comparamos as necessidades de uma vaca solteira com as de uma vaca em início de lactação (veja gráfico acima).
Já as exigências de novilhas em crescimento, quando expressas em percentagem de matéria seca (MS), diminuem significativamente com o aumento da idade. Outro fato que deve ser avaliado é a quantidade de leite produzida. Se considerarmos a composição mineral do leite, observamos que uma vaca produzindo 10 kg de leite/dia secreta 12,5 g de cálcio, enquanto uma vaca produzindo 40 kg de leite/dia secreta 50 g/dia desse elemento via glândula mamária.
Para animais alimentados em regime de pastagens, o fósforo é considerado o principal mineral a ser suplementado, por ser freqüentemente deficiente nas pastagens brasileiras e apresentar uma necessidade comparativamente elevada em relação aos outros elementos. Ele representa 32% da composição do organismo, perdendo apenas para o cálcio, com 48% (veja gráfico abaixo). Mas esse último mineral, que mantém relação interdependente com o fósforo, é mais abundante nos solos brasileiros e exerce menor interferência sobre o custo do suplemento mineral.
Para animais confinados recebendo concentrados energéticos e protéicos, o fósforo normalmente deixa de ser o principal elemento a ser suplementado, pois os concentrados protéico-energéticos apresentam teores de fósforo relativamente altos. Atenção especial deve ser dada aos animais alimentados com cana e uréia, pois a cana-de-açúcar é muito pobre em minerais e a uréia não contém esses elementos.
Cálculo de déficit



Observando as necessidades de suplementação com fósforo das diferentes categorias animais alimentadas a pasto, chegamos à seguinte classificação em ordem decrescente: primíparas –› vacas paridas, vacas no terço final da gestação e bezerros pós-desmama –› garrotes e novilhas em recria –› vacas solteiras e animais em terminação.
É bom frisar que o teor de minerais das pastagens brasileiras varia bastante durante o ano, conforme mostra a tabela elaborada pela Embrapa e publicada na página seguinte. Isso deve ser lembrado durante a formulação dos suplementos minerais.
Na seca, o teor de fósforo cai bastante frente às demandas de categorias como bezerros e vacas paridas (veja gráfico abaixo). A escolha do produto, portanto, depende das necessidades do animal a ser suplementado, da disponibilidade e qualidade de forragem e da ingestão do suplemento.
Como exemplo, podemos citar uma vaca parida que necessita de 22 g de fósforo por dia e ingere 12 kg de MS em um pasto com 0,11% de fósforo. Ela estará consumindo 13,2 g de fósforo e terá um déficit a ser suplementado de 8,8 g desse elemento. Se escolhermos um suplemento com 90 g de fósforo por kg, a ingestão adequada será de 98 g por dia. Se diminuirmos o teor de fósforo do produto para 80 g, a necessidade de ingestão subirá para 110 g/dia e, se trabalharmos com 40 g de fósforo por kg de suplemento, a necessidade de ingestão chegará a 220 g.
Considerando ainda a mesma vaca parida, com necessidade fisiológica de 22 g de fósforo/dia e consumo dos mesmos 12 kg de MS, mas em pasto com maior teor de fósforo (0,14%), a ingestão diária sobe para 16,8 g de fósforo/dia e o déficit a ser suplementado cai para 5,2 g/dia. Neste caso, se escolhermos um suplemento com 90 g de fósforo por kg, a ingestão adequada será de 58 g por dia; se ele contiver 80 g de fósforo, a necessidade de ingestão diária subirá para 65 g e, caso o pecuarista opte por um produto com 40 g de fósforo por quilo, a ingestão necessária será de 130 g/dia.
Em geral, pode-se indicar suplementos minerais prontos com teor de fósforo superior a 80 g/kg para as seguintes categorias: novilhas primíparas, vacas paridas, vacas em final de gestação e bezerros desmamados. Já os garrotes e novilhas em crescimento podem receber um produto contendo, pelo menos, 60 g de fósforo por kg. Os bois em terminação e vacas de descarte exigem produtos com mais de 40 g desse elemento por quilo. Sempre dependendo da disponibilidade e qualidade do pasto.


Controle do consumo
É fundamental, portanto, observar cuidadosamente a relação existente entre demanda de minerais por categoria, pastagem e composição do suplemento, além de fazer um bom controle de consumo, para verificar se o déficit estimado está realmente sendo coberto. Esse controle deve ser realizado rotineiramente, por meio de fichas adequadas.
Do ponto de vista econômico, quando um suplemento contendo 80 g de fósforo por kg e outro contendo 40 g apresentam ingestão adequada para cobrir o déficit constatado, deve-se optar pelo primeiro, pois ele apresenta menor custo, apesar de ser mais caro do que o segundo. Cabe ressaltar que os demais elementos minerais também precisam estar corretamente balanceados, de acordo com a região e a categoria animal.
O cálculo da necessidade de minerais deve ser feito sobre a dieta total diária (alimento consumido durante todo o dia) para se saber quanto o animal realmente está ingerindo. Para exemplificar, as necessidades diárias de fósforo de um bezerro com 200 kg em crescimento são de 12 g de fósforo. Estimando uma ingestão de 6 kg de matéria seca com 0,20% de fósforo, as necessidades serão atendidas. Mas isso não ocorrerá se a ingestão for subestimada e ficar abaixo de 6 kg de matéria seca. Infelizmente, a ingestão dos animais é uma variável difícil de ser avaliada, principalmente em regime de pasto.
Outro detalhe importante: quando recebemos uma análise de pastagens, os teores de fósforo são apresentados em percentagem de MS. No entanto, a oferta de capim, a aceitabilidade do mesmo e a capacidade de seleção das partes mais nutritivas da planta pelos animais é que vão determinar se a quantidade de fósforo que o animal de fato está ingerindo atende ou não suas necessidades.
Deve-se também dar atenção aos microminerais, pois, apesar de entrarem na composição do organismo em quantidades pequenas, exercem funções vitais e a deficiência de apenas um deles pode causar graves disfunções tanto na reprodução, quanto no crescimento e resposta imune.
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