Como a retenção da placenta pode trazer prejuízos ao gado?

08/11/2019
retencao da placenta

Diariamente, a pecuária nacional é desafiada por doenças e complicações que afetam diretamente nas questões produtivas dos animais. Uma delas é a retenção da placenta, que, sem as prevenções adequadas, pode levar todo o planejamento de uma fazenda “por água abaixo”.

Essa complicação, que acomete vacas de corte e leite, nada mais é que a retenção dos tecidos placentários, ou seja, que estão fixados e não conseguem desgrudar do útero após o parto. Dessa forma, a constatação desse problema pode ser feita no período de 12 horas após o parto. Se a vaca pariu durante a madrugada, o ideal é verificar se os restos placentários continuam pendurados ao final do dia. Mas, se o parto ocorreu durante o dia, deve-se verificar
na manhã seguinte.

ATENÇÃO: ao avaliar o animal e se ainda possuir resíduos placentários na vulva da vaca, significa que há uma retenção placentária. Diante desse cenário, é preciso agir, pois a vaca pode contrair outras doenças e até mesmo vir a óbito. Confira abaixo como isso pode ser feito.

O que causa a retenção da placenta?

A retenção da placenta é resultado de diversos fatores. Vacas que sofrem complicações durante o parto são exemplos clássicos. Fatores metabólicos, como cetose e hipocalcemia, e doenças infecciosas como leptospirose e brucelose não são descartados.

Mas um dos principais responsáveis pela retenção placentária é o estresse na gestação e no momento do parto. Nesse período, pode haver falhas no manejo, distúrbios endócrinos, deficiências imunológicas e nutricionais, e muitos outros fatores de ambiente que levam o animal ao estresse.

Todas essas dificuldades acarretam a retenção placentária e causam grandes prejuízos ao produtor. As consequências são a queda na produção de leite, além de redução na taxa de prenhez e consequentemente na produção de bezerros. O animal também pode sofrer com lesões no útero e então ocasionar uma metrite clínica e/ou endometrite clínica e subclínica. A vaca passa a ser também fonte de contaminação ao meio ambiente e de transmissão de doenças para outros animais.

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Animal precisa ter atenção redobrada antes e após o parto

As vacas precisam ter atenção redobrada 30 dias antes e após o parto, quando os esforços são maiores. Nesse período, de final de gestação (formação óssea do feto), há uma exigência maior por minerais. Dessa forma, a vaca precisa recuperar os nutrientes repassados ao feto para restabelecer suas reservas corporais, produzir leite e se preparar para emprenhar novamente. Outras ações são fundamentais para a saúde do animal, evitando assim a retenção da placenta. Confira:

Dica 1 – Sabendo do enorme desafio que o animal terá que encarar, é necessário estruturar a propriedade, implementando um rigoroso programa sanitário de prevenção e erradicação de doenças. Dessa maneira, os bovinos estarão mais seguros diante das enfermidades.

Dica 2Priorize uma dieta balanceada, permitindo o consumo correto e fornecendo todos os nutrientes.

Dica 3 – Busque sempre adequar a dieta dos animais no período de transição. A dieta aniônica, por exemplo, pode trazer excelentes resultados no pré-parto. A utilização desta dieta permite que o metabolismo da vaca entenda que é necessário absorver mais cálcio, para que posteriormente esteja preparada para uma grande exigência de minerais. Assim, é possível reduzir um possível estresse causado pela ausência do mineral.

Dica 4Reduza manejos diários estressantes. Invista em instalações adequadas para evitar
condições ambientais desajustadas aos animais.

Minha vaca já está com retenção placentária: o que posso fazer?

Não há uma “fórmula mágica” para curar vacas que já sofrem com retenção de placenta. Entretanto, algumas medidas paliativas podem ser eficientes diante desse desafio. Uma das ações é utilizar uma tesoura, limpa e desinfetada, e promover o corte da placenta na altura da vulva da vaca. Mas atenção: jamais puxe a placenta, pois esse manuseio inadequado pode causar complicações no útero e na vagina do animal.

Outra opção é fazer uma lavagem interina e, posteriormente, tratar com antiflamatórios e antibióticos. Mas não se esqueça: as ações devem ser supervisionadas por um médico-veterinário!


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